MAROCAS

Agosto 03 2017

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O Clube que mais tem beneficiado do Poder político e faz crer que os outros é que são beneficiados. Ou seja, são "pobres e mal agradecidos".

 

DITADURA/ESTADO NOVO: 1926-1974 (Parte I)

 

 
Página 9 do Volume I da História dos 50 anos do FC Porto (1906-1956) de António Rodrigues Teles, editada em 1958

Foram Instituição de utilidade pública em 1928 

O Benfica só o seria (e integrado num pacote de mais cinco clubes...32 anos depois) em 1960. Espertos!

Aproveitando-se da afinidades políticas com alguns dos militares que saíram de Braga para fazer o golpe militar para derrubar o poder democrático, em 28 de Maio de 1926, o então presidente do FC Porto (Sebastião Ferreira com apoio de Urgel Abílio Horta, um fascista tenebroso que lhe sucederia ainda em 1928) menos de dois anos após o golpe "mamou" a Utilidade Pública, à socapa de tudo e todos. Só quando Cândido de Oliveira foi treinar o FCP (1952/53 e 1953/54) os clubes de Lisboa ficaram a perceber que o FCP beneficiava de isenções e menos taxas que todos os outros clubes. Poucas instituições, em 1928, eram de utilidade pública pois estas tinham benefícios em termos de impostos e facilidade, para o FCP, em assegurar (e segurar) atletas de várias modalidades. Após insistentes pedidos para existir equidade o Estado Novo permitiu que num pacote de cinco clubes o Benfica conseguisse, em 1960, o que o FC Porto beneficiava desde 1928. 

 

MAS JÁ ANTES "PASSARA" A MÃO PELO(S) PODER(ES)

 

 

Monarquia azul-e-branca

Clube fundado por monárquicos, nacionalistas e anti-republicanos fanáticos não era difícil escolher as cores do equipamento. Azul-e-branco. Aliás branco-e-azul. As cores da Monarquia e de Portugal em 1906. «Nada-de-nada» a ver com os "flanelas vermelhas" de Belém.


 
Páginas 39 do Volume I da História dos 50 anos do FC Porto (1906-1956) de António Rodrigues Teles, editada em 1958

Com a Implantação de República

Esse reaccionarismo latente entre dirigentes e associados levou-os a passar "um mau bocado" após o 5 de Outubro de 1910. Houve mesmo muitos portugueses que recusaram jogar de branco-e-azul pertencendo ao FC Porto. Em 1912/13 perde a Taça José Monteiro da Costa (para a equipa da Associação Académica de Coimbra) e em 1913/14, para o Boavista FC, o primeiro campeonato regional organizado pela Associação de Futebol do Porto. E em 1917/18 mais um Regional perdido para o Sport Porto e Salgueiros (depois SC Salgueiros). Só em 1939/40 voltaria a perder um Regional do Porto, para o Leixões SC. Em baixo uma equipa só de ingleses. Os únicos que aceitavam o carácter monárquico de um clube num pais que era uma República. Da esquerda para a direita. Em cima: Webber, Watson, Kendall, Albert, Brugmann e Charles; Dutton, Jones, Jansen, Caw e Harrisson. Um onze que defrontou, e perdeu por 0-1, em 23 de Abril de 1911, o clube de Bordéus (La Vie au Grand Air du Médoc).   


 
Páginas 43 do Volume I da História dos 50 anos do FC Porto (1906-1956) de António Rodrigues Teles, editada em 1958


DITADURA/ESTADO NOVO: 1926-1974 (Parte II)





Não houve nenhum outro clube em Portugal que tivesse um estádio praticamente todo feito com dinheiros do Estado

Com o pretexto que havia o Estádio Nacional (perto de Lisboa) e o estádio 28 de Maio em Braga, feitos com dinheiros públicos e a cidade do Porto não tinha nenhum, os portistas não desistiram de conseguir contrapartidas financeiras e de procedimentos que permitissem abandonar o caduco, inaugurado em 1912, Campo da Constituição (nem era um estádio) substituindo-o por um estádio moderno e funcional. Como o FCP tinha dirigentes bem colocados no aparelho do Estado Novo (ministros como Augusto Pires de Lima e deputados como Urgel Abílio Horta (clicar para a ficha de deputado da União Nacional) ) e outros bem conotados com o fascismo, como os médicos Ângelo César Machado (clicar para as fichas de deputado da União Nacional (I, II e III) e (VII) além de Cesário Bonito, conseguiram sacar muito dinheiro ao Estado (principalmente através do ministro das Obras Públicas, eng.º Frederico Ulrich), utilizar a Câmara Municipal (vem de longe "a mama" até... Rui Rio) para expropriar terrenos e “aligeirar” procedimentos. Mas…em vez deste blogue, quem melhor para contar o que se passou que transcrever parte da História dos 50 anos (1906 – 1956) do FC Porto da autoria de António Rodrigues Teles, um notável historiador do seu clube que na actualidade, por ser rigoroso, honesto e verdadeiro, está proscrito. Espertos!

 

 
Páginas 1090 e 1091 do Volume III da História dos 50 anos do FC Porto (1906-1956) de António Rodrigues Teles, editada em 1958

DITADURA/ESTADO NOVO: 1926-1974 (Parte III)

 

 
Destes onze Magriços, com sete futebolistas do "Glorioso", apenas três jogaram pela selecção nacional no estádio da Luz e só depois de 1971. Mas "fartaram-se" de jogar em Alvalade, Antas e até no Restelo! Os três são: Simões (2 jogos), Jaime Graça (1 jogo) e Eusébio (três jogos na Luz, mas sem golos, ou seja nunca marcou golos por Portugal no "seu" estádio). 
Portugal não ia à Luz, mas jogou... 37 vezes em "casa", em Portugal

 

A selecção nacional jogou oito vezes no estádio portista antes de se estrear no estádio do Benfica.

E nesses oito jogos utilizou em dois deles, sete futebolistas do Benfica e noutros dois mais seis jogadores seleccionados enquanto futebolistas do "Glorioso". Ter "em casa" alguns dos melhores futebolistas do Mundo nos anos 60 ainda que a jogar pela selecção nacional. Espertos!

 

A Selecção Nacional esteve 54 anos sem jogar num estádio do Benfica

A Selecção Nacional estreou-se em 18 de Dezembro de 1921, mas nunca jogou nos nossos estádios em Benfica (Quinta de Marrocos, inaugurado em 11 de Novembro de 1917), nas Amoreiras (inaugurado em 13 de Dezembro de 1925) e no Campo Grande (inaugurado em 5 de Outubro de 1941). Na Luz, inaugurado em 1 de Dezembro de 1954, só em 1971, 17 anos depois desse dia memorável em 1954. E cinco décadas e meia depois da selecção nacional ter feito o primeiro jogo, em Madrid, frente à congénere espanhola. Mas ignorando o “Glorioso” e ignorada pelos Benfiquistas, apesar de estarmos representados sempre com futebolistas, por vezes sendo o clube com mais jogadores, as “altas individualidades da Nação” e os dirigentes federativos da selecção nacional sentiam-se mais “confortáveis” noutros estádios, alguns destes pouco acima de... campos.

 

O estádio da Luz viveu grandes tardes e noites europeias com jogos entre clubes, mas nunca com a Selecção Nacional

Na década de 60, com o Benfica a dominar o futebol europeu, com cinco presenças em oito anos na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, a Luz tornou-se um estádio mítico, mas a selecção nacional na Luz… nem vê-la! O maior estádio português, os adeptos mais fiéis, o local em Portugal onde “caíam” grandes equipas de clubes míticos, onde se jogavam quartos-de-finais e meias-finais da principal competição europeia de clubes, este espaço desportivo esteve ausente – 17 anos - das escolhas para os jogos, em Portugal, da selecção nacional de futebol. Mesmo com selecções nacionais “atestadas" de Benfiquistas: oito (em 11) futebolistas do Benfica em quatro jogos; cinco com sete; seis com seis; e nove com cinco! (ver Quadro) São 24 selecções, com cinco ou mais jogadores do SLB que, apesar de tantos futebolistas, nunca jogaram no estádio da Luz. Uma vergonha!

 

     OS 37 JOGOS DA SELECÇÃO NACIONAL “EM CASA” ENTRE
     1.Dezembro.1954 E 17.Fevereiro.1971 (JOGOS POR ESTÁDIO)

Estádio

T

Futebolistas do SLB utilizados em cada jogo

E. Nacional

23

1

4

1

4

5

5

4

3

4

6

8

7

6

8

6

7

6

5

5

5

7

0

5

     

Antas

8

2

4

7

5

7

6

6

2

         

José Alvalade

4

3

2

8

5

                 

Restelo

1

8

                       

L. Marques

1

5

                       

 

Os grandes futebolistas bicampeões europeus NUNCA jogaram no estádio da Luz

O Bicampeonato Europeu, ainda único em Portugal, foi conquistado em 1960/61 e 1961/62. Mas, nem antes nem depois dessa extraordinária proeza, o nosso Coluna, José Águas, Germano, Cavém, Santana, Cruz, José Augusto ou Costa Pereira, por exemplo, jogaram com as “quinas” na Luz. Durante, anos e anos, foram impedidos de actuar, por Portugal, na Luz. Deprimente. Entretanto a selecção nacional, entre a inauguração do estádio da Luz e a estreia neste Estádio, ou seja entre 1954 e 1971, jogou 37 encontros em Portugal, incluindo oito nas Antas (FCP) e quatro em Alvalade (SCP). Estádios muito mais pequenos e sem grande tradição e expressão internacional. De onde eram seleccionados muito menos jogadores e de inferior qualidade. Mas... na Luz… zero! Uma vergonha! Nesses 27 jogos, Coluna participou em 23, capitão em sete, marcando cinco golos; José Augusto em 20, quatro como capitão e três golos; Eusébio jogou 18 encontros (um a capitão), com 13 golos (6 jogos e 3 golos nas Antas e dois jogos e um golo em Alvalade). Mas nunca foram jogar, nem eles nem ninguém, pela selecção nacional ao “seu estádio”!

 

Os media começaram a fazer pressão para a selecção jogar na "Saudosa Luz" pois era o estádio com maior lotação

E responsabilizavam a FPF de não ter apurado a selecção (3.ª classificada) em 1966, nem para o europeu de 1968 e muito menos para o Mundial de 1970 (com mais países europeus a jogar a fase final que nos Europeus). Ao contrário de todas as outras federações que nos jogos decisivos faziam jogar as suas selecções nos maiores estádios. A estreia na Luz ocorreria em 21 de Abril de 1971 numa vitória, por 2-0, com a selecção da Escócia, na fase de apuramento (falhada) para o Campeonato da Europa em 1972, com a fase final realizada na Bélgica, com a final entre a RFA (Alemanha) e a URSS (Rússia), com vitória alemã, por 3-0. 

 

DITADURA/ESTADO NOVO: 1926-1974 (Parte IV)




Três-a-zero em finais da Taça de Portugal

O FC Porto já disputou três finais da Taça de Portugal "em casa" perdendo duas. O Benfica nunca disputou nem quis ter essa vantagem. Mesmo o Sporting CP disputou uma final no seu estádio (do Lumiar), em 1937/38, derrotando por 3-1, o Benfica. O FC Porto jogou a final em 1960/61 (D 0-2; Leixões SC), 1976/77 (V 1-0; SC Braga) e 1982/83 (D 0-1; frente ao SL Benfica). Levar finais para o seu estádio das Antas para ficar mais perto de as vencer.  Espertos! 

 

Se o ridículo envergonhasse...

Em 1960/61 o futebol português criou uma das suas maiores vergonhas. Sem contar que o Benfica disputasse os quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus quanto mais ser finalista, o calendário fez coincidir uma eliminatória da Taça de portugal precisamente no dia da final em Berna, em 31 de Maio de 1961 (clicar). Pois ainda fizeram o "favor" de passar o jogo em Setúbal para o dia seguinte, 1 de Junho de 1961. Assim todos puderam ver na televisão o Benfica derrotar, por 3-2, em Berna, o FC Barcelona. No dia seguinte quando os 16 melhores futebolistas viajavam de Berna disputou-se o jogo, frente ao Vitória FC, em que o "Glorioso" (com um misto de reservistas e juniores) foi eliminado (clicar(clicar). A chegada tardia (oito da noite) da Suíça foi noticiada em 2 de Maio. Depois do jogo em Setúbal (clicar)!

DEGRADAÇÃO DA DEMOCRACIA (1994/95 e seguintes...)


Com a implantação da Democracia continuaram sem ganhar

Entre 1974/75 e 1983/84 (dez temporadas) conquistaram dois títulos: 1977/78 e 1978/79. Quando Portugal se tornou um Regime de corruptos e corrupção - que é ainda hoje - aproveitaram-se e passaram a dominar o Futebol Português. Espertos!


COMPARATIVO DE 20 ANOS ENTRE 1974/75 e 2013/14

Época

SLB

FCP

Época

SLB

FCP

CN

TP

CN

TP

CN

TP

CN

TP

74/75

21

 

 

 

94/95

 

 

14

 

75/76

22

 

 

 

95/96

 

26

15

 

76/77

23

 

 

8

96/97

 

 

16

 

77/78

 

 

6

 

97/98

 

 

17

13

78/79

 

 

7

 

98/99

 

 

18

 

79/80

 

19

 

 

99/00

 

 

 

14

80/81

24

20

 

 

00/01

 

 

 

15

81/82

 

 

 

 

01/02

 

 

 

 

82/83

25

21

 

 

02/03

 

 

19

16

83/84

26

 

 

9

03/04

 

27

20

 

84/85

 

22

8

 

04/05

31

 

 

 

85/86

 

23

9

 

05/06

 

 

21

17

86/87

27

24

 

 

06/07

 

 

22

 

87/88

 

 

10

10

07/08

 

 

23

 

88/89

28

 

 

 

08/09

 

 

24

18

89/90

 

 

11

 

09/10

32

 

 

19

90/91

29

 

 

11

10/11

 

 

25

20

91/92

 

 

12

 

11/12

 

 

26

 

92/93

 

25

13

 

12/13

 

 

27

 

93/94

30

 

 

12

13/14

33

28

 

 

TOT

10

7

8

5

TOT

3

3

14

8

 

Não tem nada que saber

Quanto mais próximos do 25 de Abril de 1974 mais Democracia implica mais Benfica. Dez campeonatos nacionais (mais dois que o FC Porto) e sete Taças de Portugal (mais três que o FC Porto). depois com a corrupção do Poder, principalmente do autárquico e mais tarde do bancário em que foram os banqueiros que assaltaram os bancos dos quais eram donos, mas dos edifícios. O dinheiro estava à sua guarda...não era deles. Com os vigaristas a mandarem em Portugal o portismopintista é "peixinho na água".



 

Eis o clube verdadeiramente Nacional-Portista. Heil Pinto!

 

Alberto Miguéns

NOTA FINAL (mas que é sobre o primeiro): O FC Porto ficou órfão desde cedo (aí, nós Benfica tivemos mais sorte, embora esta desse muito trabalho como habitualmente). José Monteiro da Costa era um senhor de grande qualidade que tombou do mundo dos vivos muito cedo. Foi o principal impulsionador do FC Porto, em 2 de Agosto de 1906, mas adoeceu subitamente no início de Janeiro de 1911 e faleceu ainda nesse mês a 30! Com 29 anos! Não merecia que em 1988 decidissem fazer revisionismo e riscá-lo como fundador. É que ele não foi um dos fundadores (como Cosme Damião). Foi o principal fundador. Foi dele a ideia de passar o "Grupo de Destino" (de comes-e-bebes, piqueniques e fazer corsos carnavalescos) a um dos mais importantes clubes portugueses. O FCP desde 1911, neste dia 2 de Agosto, anualmente, fazia romagem de honra e agradecimento ao cemitério de Agramonte onde o seu principal fundador está sepultado. Em 1989 deixou de constar!


 

 

 

publicado por Fernando Ramos às 20:19

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