MAROCAS

Dezembro 01 2004
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Luís Filipe Pereira, nosso ministro da saúde, está a preparar alterações ao sistema de comparticipações nos medicamentos. É que ele quer que o apoio do Estado passe a ser em função do rendimento de cada um, como está previsto para as taxas moderadoras. Eu acho uma certa graça a esta medida, o Estado, por querer poupar tanto, vai ter que por os cidadãos a pagar mais, e se decide que cada um tem de pagar pelo menos 50% do valor dos medicamentos (isto sou eu a pensar que é esta decisão que ele toma), o que até nem é disparate nenhum, porque há por ai muitos reformados que ganham menos que o salário mínimo, e já pagam isso!
Vamos então fazer um exercício de lógica, e seguir esta regra para aquele milhão e duzentos mil aposentados, cuja a reforma não chega ao salário mínimo nacional, que são 335,38 euros (pouco mais de 65 contos na moeda antiga). Suponhamos que um grupo de reformados ganham 300 euros mensais (60 contos), e que gastam actualmente em medicamentos para viver 150 euros (30 contos) por mês, ou seja 50% da sua pensão, portanto metade do que recebem, então, se a medida escolhida pelo senhor ministro da saúde for por esta ordem de percentagem, os que ganham 1000 euros (200 contos) pagam os mesmos 50%, ou seja 500 euros (100 contos), e se os que ganham 4.000 euros (800 contos), que é mais ou menos o ordenado dos nossos digníssimos Deputados da Nação, passarão a pagar 2.000 euros (400 contos) por mês em medicamentos (devia de ser ‘giro’). E aqueles ex-políticos da ‘treta’ (incompetentes quero eu dizer) que são reformados pela CGD, e que têm reformas de 20.000 euros (4.000 contos) passarão a pagar 50% da sua reformazinha, ou seja 2.000 contos por mês em medicamentos (sim porque eles também adoecem como nós), seguindo esta mesma regra de comparticipação em função dos seus rendimentos. Mas ainda temos aquela classe social mais privilegiada, como a de alguns presidentes de grandes empresas, como o Sr. Belmiro de Azevedo, presidente da Sonae, ou o senhor Jardim, presidente do grupo BCP, cujos salários são mais de 50.000 euros (10.000 contos) segundo diz a imprensa, já viram como eles iam ser tão penalizados!
Senhor ministro da saúde, seja nosso amigo e ponha os medicamentos de borla para os nossos idosos mais carentes, vá buscar o dinheiro aos submarinos do seu amigo de coligação Dr. Paulo Portas, essa seria a melhor comparticipação que o Estado poderia dar, e não nos trate por parvos...

publicado por Fernando Ramos às 20:58

Um comentário inteligente, parabéns!
DoceRebelde a 1 de Dezembro de 2004 às 21:13

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