MAROCAS

Janeiro 12 2005
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A 26 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas anunciara o seu programa, do qual constava o compromisso de, no prazo de doze meses, ser convocada uma Assembleia Nacional Constituinte, eleita por sufrágio universal directo e secreto.

Precisamente no dia em que se comemorava o 1º aniversário da "Revolução dos Cravos", a 25 de Abril de 1975, realizavam-se as eleições para a Assembleia Constituinte, que viria a ter a seu cargo a redacção da Constituição da República Portuguesa.

Os quatro grandes partidos estruturantes da democracia portuguesa (então ainda em estado latente, dado o "PREC - Processo Revolucionário Em Curso"), liderados por Mário Soares, Francisco Sá Carneiro, Álvaro Cunhal e Diogo Freitas do Amaral, alcançariam as maiores votações e consequentes representações parlamentares, respectivamente:

PS (116 deputados); PPD (81 deputados); PCP (30 deputados) e CDS (16 deputados).

Os partidos considerados de ideologia de esquerda alcançariam um total de cerca de 58% dos votos, contra 34% dos partidos considerados de direita.

Numa breve análise aos resultados, constata-se que o PS registou votações regulares em todo o país, com uma implantação geral, conquistando votos à esquerda a Norte e à direita a Sul.

Verifica-se alguma correlação entre as votações do PPD e do CDS a nível distrital, situação justificada pela envolvente sócio-económica.
De Norte a Sul, as votações à esquerda registam acréscimos regulares.

O PCP concentra as suas maiores votações na região Sul, em particular em Setúbal e Alentejo, no que viria a constituir um paradigma sempre repetido ao longo de décadas, associado ao grau de proletarização.

Nas primeiras eleições no pós-25 de Abril, surgia ainda com alguma implantação o MDP/CDE (herdeiro da histórica CDE) - com um total nacional de 4 % e 5 deputados eleitos - em particular, ocupando um espaço à esquerda, em distritos de forte pendor anti-comunista.

Teriam também representação parlamentar a UDP e a ADIM (Associação de Defesa dos Interesses de Macau), cada uma com um deputado.

A Assembleia Constituinte teria a sua abertura solene a 2 de Junho de 1975, tendo como Presidente Interino Henrique de Barros, contando com a presença do Presidente da República General Costa Gomes, do Primeiro-Ministro General Vasco Gonçalves e do representante do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Vice-Almirante Pinheiro de Azevedo.

A Constituição viria a ser aprovada a 2 de Abril de 1976, com os votos favoráveis de todos os deputados, à excepção dos 16 deputados do CDS.

ELEIÇÕES ASSEMBLEIA CONSTITUINTE - 1975

PS - 2.162.972 (37,87%) - 116 deputados
PPD - 1.507.282 (26,39%) - 81 deputados
PCP - 711.935 (12,46%) - 30 deputados
CDS - 434.879 (7,61%) - 16 deputados
MDP - 236.318 (4,14%) - 5 deputados
FSP - 66.307 (1,16%)
MES - 58.248 (1,02%)
UDP - 44.877 (0,79%) - 1 deputado
FEC - 33.185 (0,58%)
PPM - 32.526 (0,57%)
PUP - 13.138 (0,23%)
LCI - 10.835 (0,19%)
ADIM - 1.622 (0,03%) - 1 deputado
CDM - 1.030 (0,02%)

Inscritos - 6.231.372
Votantes - 5.711.829 - 91,66%
Abstenções - 519.543 - 8,34%

Fonte: CNE

(com a devida vénia ao blogue - www.memórialvirtual.weblog.com.pt -)

publicado por Fernando Ramos às 14:38

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