MAROCAS

Setembro 27 2012

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Setembro 08 2012

incendio.jpg

 

Este artigo publiquei em 2004, acho que continua actualizado com pequenas alterações, por isso volto a publicar

 

Toda a gente, em Portugal, sabe que não temos meios aéreos suficientes para combater os incêndios que todos os anos desvastam o nosso país.

 

O ano passado (2003), só num dia, arderam mais de 100 mil hectares, e este ano só no Algarve, já arderam mais de 50 mil. Segundo o DN de 2.8.04, somos mesmo o único país do mediterrâneo onde, a Força Aérea, não tem ao seu serviço aviões próprios para combate ao fogo. Perante esta situação, cada vez mais, as pessoas interrogam-se onde são aplicados os dinheiros para a aviação. No quadro presente, a conclusão que se tira é que os fundos são muito poucos. Imaginemos que o Dr. Paulo Portas lê este blog, e então eu pergunto: Não acha que perante os investimentos que se estão a fazer nos submarinos, esta situação é uma autentica aberração? Não é mais importante pôr meios mais eficazes de combate aos incêndios?

 

Não acha que se calhar o preço de um periscópio de um dos submarinos, dava para comprar alguns carros multifuncionais para os bombeiros de Loulé? O senhor sabe que, só os burros é que não mudam, mas o senhor já provou mais de uma vez que é uma pessoa inteligente, e eu até lhe reconheço algum mérito. Vamos mas é fazer ‘agulha’ (se formos a tempo), e deixar os submarinos para as ‘calendas’, como diz o povo, e vamos atacar o fogo com material mais eficiente. Não é por nada, mas com 800 milhões de contos (na moeda antiga), se o senhor pegar só em 400 milhões de contos (metade), segundo o jornal Tal & Qual de 6.8.2004, equipamos os bombeiros de todo país com a compra de 4 aviões Canadair, cuja capacidade é de seis mil litros de água cada, 7 helicópteros multifuncional, com capacidade para 1.000 a 1.500 litros, 400 carros com capacidade de 12.000 litros, 230 carros multifuncional com capacidade de 4.000 litros, 200 carros com capacidade de 2.000 litros, e mais 315 jipes de primeira intervenção com capacidade de 600 litros, e provavelmente ainda sobra algum dinheiro para a aquisição de mangueiras e fardas para os bombeiros. Isto tudo, segundo aquele jornal, só com o dinheiro de um submarino. Porque, o dinheiro do outro submarino dava para construir mais instalações para os bombeiros, pelo país fora. Agora diga lá, se este não seria um investimento mais útil? Dr. temos de fazer o mesmo do que a Dinamarca, desviar o dinheiro dos submarinos e investi-lo onde é mais necessário. Se o Dr. Portas fizer isso, até lhe tiro o meu chapéu!

 

E o senhor até sabe que, a NATO diz que é um mau negócio para Portugal, a compra dos submarinos, tendo em conta a situação económica que o país atravessa. Já agora mais uma sugestão, e talvez a mais importante, peço ao governo, que faça o favor de contactar o comandante dos bombeiros de Castanheira de Pêra, o Sr. Bebiano Rosinha, que, há 30 anos, na parte norte do distrito de Leiria, a sua unidade combate as chamas na floresta, e como é que ele e os seus homens fazem para não ter grandes incêndios. É que, por informação do jornal Publico de 12.08.04, num concelho que fica situado numa das mais extensas manchas florestais da Europa, apenas arderam este ano uns minúsculos dez metros quadrados, resultado de três fogos registados, e no ano passado também foi assim como informa o mesmo jornal. Senhores Governantes, é importante entregar os cargos a quem tem competência para eles, e parece que o Sr. Bebiano há muito que devia estar no lugar certo.

publicado por Fernando Ramos às 11:31

Setembro 02 2012

UM POEMA DE JOAQUIM PESSOA

 

Poema de agradecimento à corja  
 
Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.
 

Joaquim Pessoa
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Joaquim Pessoa nasceu no Barreiro em 1948.
Iniciou a sua carreira no Suplemento Literário Juvenil do Diário de Lisboa.
O primeiro livro de Joaquim Pessoa foi editado em 1975 e, até hoje, publicou mais de vinte obras incluindo duas antologias. Foram lhe atribuídos os prémios literários da Associação Portuguesa de Escritores e da Secretaria de Estado da Cultura (Prémio de Poesia de 1981), o Prémio de Literatura António Nobre e o Prémio Cidade de Almada.
Poeta, publicitário e pintor, é uma das vozes mais destacadas da poesia portuguesa do pós 25 de Abril, sendo considerado um "renovador" nesta área. O amor e a denúncia social são uma constante nas suas obras, e segundo David Mourão Ferreira, é um dos poetas progressistas de hoje mais naturalmente de capazes de comunicar com um vasto público.
 
Bibliografia: "O Pássaro no Espelho", "A Morte Absoluta", "Poemas de Perfil", "Amor Combate", "Canções de Ex cravo e Malviver", "Português Suave", "Os Olhos de Isa", "Os Dias da Serpente", "O Livro da Noite", "O Amor Infinito", "Fly", "Sonetos Perversos", "Os Herdeiros do Vento", "Caderno de Exorcismos", "Peixe Náufrago", "Mas.", "Por Outras Palavras", "À Mesa do Amor", "Vou me Embora de Mim". 
 
 
   
 

publicado por Fernando Ramos às 20:04

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